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quarta-feira, dezembro 1, 2021
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Doria e Eduardo Leite admitem erro em 2018 e fazem críticas indiretas em debate para prévias do PSDB

O primeiro debate das prévias presidenciais do PSDB foi marcado por críticas indiretas entre os governadores João Doria (PSDB-SP) e Eduardo Leite (PSDB-RS), que evitaram confrontos abertos -as provocações ficaram a cargo do terceiro concorrente, o ex-prefeito de Manaus e ex-senador Arthur Virgílio (PSDB).


No debate promovido pelos jornais O Globo e Valor Econômico nesta terça (19), tanto Leite como Doria afirmaram ter sido um erro ter apoiado a eleição de Jair Bolsonaro em 2018 e fizeram críticas ao atual presidente, sobretudo na condução da economia e na flexibilização do teto de gastos.


“Em relação ao presidente Bolsonaro, eu errei, como Eduardo errou, como outras pessoas erraram. […] Eu não tenho compromisso com o erro, eu não erro duas vezes”, disse Doria.


O governador paulista criticou Bolsonaro pelas afrontas à democracia e pelo negacionismo, além de afirmar que o governo federal é um fracasso na área econômica.


“Foi um erro. Não há hipótese de apoiar uma candidatura de Bolsonaro em 2022. […] A gente precisa evitar Bolsonaro tanto pelo ponto de vista democrático como econômico”, afirmou Leite.


O debate não ocorreu sem tensões, mas foi mais ameno do que o clima da campanha na última semana, quando Leite comparou Doria a Bolsonaro e quando o governador paulista chegou a se recusar a participar do evento. Nesta terça, Doria recebeu o apoio do diretório tucano do Rio Grande do Norte.


​No entanto, os postulantes do PSDB demonstraram certa discordância a respeito do papel da economia e da democracia para o país.


Leite afirmou defender a democracia, mas ressaltou que, no contexto de crise econômica, as pessoas passam fome, enquanto a democracia está protegida pelos sistemas de controle e divisão de Poderes que a Constituição prevê.


“Acho que é importante discutir ideologia e gestão, mas o povo não come gestão e ideologia não bota comida na mesa. Não estou defendendo que se ignore o debate de democracia. […] O Brasil precisa de uma democracia forte, mas precisa de emprego e renda”, disse.


“A democracia é fundamental, não estou colocando hierarquia. A democracia resiste, porque ela não é do presidente, ela é do povo brasileiro. Agora, o presidente tem um papel determinante do ponto de vista econômico”, completou.


Já Arthur e Doria lembraram seus pais que tiveram os mandatos cassados pela ditadura para afirmar que a democracia deve ser condição primeira e que, sem ela, não há prosperidade econômica.


“Democracia está à frente de tudo, não há economia se não houver democracia. A democracia é a essência e a base de uma nação”, afirmou Doria.


“Democracia para mim está acima de tudo, é o valor mais fundamental. Democracia põe comida na mesa sim; ditadura tira comida da mesa”, disse Arthur.


Mais instigador que os demais, Arthur Virgílio questionou Doria a respeito de picuinhas entre ele e Leite que aparecem nos jornais e afirmou que isso não ajuda para a unidade do partido.


“Não estou aqui para perder, estou aqui para derrotar vocês dois. Mas por que não cuidarmos só das questões públicas e acabarmos com esse trique-trique de jornal?”, perguntou.


Arthur completou ainda que os ataques devem respeitar o limite de não impedir que os postulantes façam campanha juntos em 2022. “Isso exclui as picuinhas, e eu tenho visto picuinhas.”


“Arthur, você quer unidade e eu tenho certeza de que Eduardo também e eu também. […] Prévias não dividem, não fracionam, prévias unem”, disse Doria, que exaltou ao final do debate seu caráter construtivo.


O ex-senador também questionou Leite por ter apoiado a eleição de Bolsonaro para alavancar a sua própria no Rio Grande do Sul.


“Você devia ter desprezado o apoio [de Bolsonaro]. Se você não ia vencer, você teria que ter perdido como um tucano de verdade”, disse Arthur a Leite sobre o pleito de 2018. O ex-senador afirmou ter votado em Fernando Haddad (PT) no segundo turno.
Entre Doria e Leite, os dois principais postulantes, porém, as alfinetadas foram indiretas e houve discordância sobre a relação com o Congresso, caso sejam eleitos.
Doria criticou a barganha com o centrão. “Hoje temos um governo refém do Congresso Nacional. Quem manda no Orçamento é o presidente da Câmara. […] A população elegeu Bolsonaro e não Arthur Lira [PP-AL].”


O governador paulista disse que iria acabar com emendas de relator, não transparentes, mas, em São Paulo, como revelou o jornal Folha de S.Paulo, ele não deu transparência a mais de R$ 1 bilhão gasto em 2021 com demandas de parlamentares.


Já Leite afirmou que a fragmentação partidária do país exige diálogo e que não ser candidato à reeleição “criou um ambiente de maior colaboração” na relação com o Legislativo.​


O gaúcho provocou o paulista ao afirmar que não aderiu à campanha de Bolsonaro, não o buscou para tirar fotos e nem misturou seu nome ao dele -algo que Doria, então candidato, fez ao vestir a camisa “BolsoDoria”.


“Fiz a única declaração de voto, num vídeo, marcado muito bem quais eram minhas diferenças em relação a Bolsonaro. […] O outro caminho, do PT, tinha quebrado o país, não era só problema de corrupção. […] Não busco ganhar eleição perdendo a alma”, respondeu Leite.


“Mesmo assim a gente vê que foi um erro, porque Bolsonaro gera problemas econômicos gravíssimos”, completou.


Questionado sobre o bolsonarismo dentro do PSDB, Doria afirmou ser preciso respeitar as posições distintas, mas elogiou a decisão do presidente da sigla, Bruno Araújo, de assumir o partido como oposição e ressaltou que os deputados tucanos de São Paulo votaram contra o voto impresso -os do Rio Grande do Sul foram favoráveis.
Arthur afirmou ser “indecoroso” ter bolsonaristas na bancada tucana e defendeu uma limpeza do partido. “Temos que marcar a data e oferecer a porta de saída como serventia da casa.”


Ainda no tema do voto impresso, Doria foi questionado sobre defender a votação em papel nas prévias do PSDB -aliados do governador têm apontado desconfiança em relação ao aplicativo por meio do qual votarão os filiados.


Como mostrou o jornal Folha de S.Paulo, a equipe de Doria tem uma série de questionamentos às regras estabelecidas pelo PSDB, buscando aproveitar brechas em meio a uma disputa acirrada.


“Regras são regras, nós aceitamos como estão. Confio nas prévias do PSDB. Sou contrário ao voto impresso. Sou a favor do voto eletrônico. Não sei que aliado foi esse, aliado sem nome não é aliado”, respondeu Doria.


As críticas veladas de Leite a Doria passaram por frases em que o gaúcho pondera sobre diferentes estilos de fazer política, uma vez que é tido como mais agregador que o rival, e exalta a política, que Doria negou ao se eleger prefeito de São Paulo como gestor.


Doria, por outro lado, afirmou que seu governo é liberal na prática, listando seus programas, investimentos, reformas e privatizações.

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