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Estrela chinesa do tênis acusa ex-líder do Partido Comunista de assédio sexual e é censurada na internet

A explosiva acusação na internet com a hashtag #MeToo (movimento contra o assédio sexual) de uma estrela do tênis chinesa contra um ex-líder de estado foi abafada pela censura geral. As autoridades correram para eliminar qualquer menção a um escândalo politicamente delicado que repercutiu na internet chinesa.

Peng Shuai, de 35 anos, campeã de duplas de Wimbledon e de Roland Garros, acusou na terça-feira (2) o vice-premiê aposentado Zhang Gaoli de pressioná-la a fazer sexo, de acordo com imagens de uma postagem excluída da conta verificada de Peng no Weibo, rede social chinesa semelhante ao Twitter.

Na postagem, que parece uma carta aberta a Zhang, ela alega um relacionamento durante um período intermitente de pelo menos 10 anos. Peng diz que ela abriu seu coração para ele.

“Por que você teve que voltar para mim, me levou para sua casa para me forçar a fazer sexo com você? Sim, eu não tinha nenhuma evidência, e era simplesmente impossível ter evidência”, escreveu ela.

“Eu não poderia descrever o quão enojada eu estava, e quantas vezes eu me perguntei se ainda sou um humano? Eu me sinto como um cadáver ambulante. Todos os dias eu estava atuando, quem sou eu verdadeiramente?”

Na China, os principais líderes da posição de Zhang permanecem inacessíveis e privados, mesmo após a aposentadoria, o que torna virtualmente impossível encontrá-lo para comentar esta história.

O movimento #MeToo da China já teve como alvo acadêmicos, trabalhadores de ONGs e celebridades – com resultados variados. Mas esta é a primeira vez que atinge os escalões mais altos do Partido Comunista.

“Devemos perceber o quão notável é para Peng Shuai escolher falar. Poucas pessoas teriam a coragem de fazer isso, porque isso poderia vir à custa de sua segurança e da sua família”, disse Lv Pin, uma proeminente feminista chinesa, agora vivendo em Nova York.

Para aumentar a sensibilidade política, o escândalo também aconteceu poucos dias antes de uma reunião crucial das elites do partido em Pequim, que deve abrir caminho para que Xi Jinping concretize um terceiro mandato.

Censura

Enquanto as alegações de Peng agitavam a internet, a censura começou com uma velocidade e ferocidade nunca vistas em nenhum dos casos #MeToo anteriores do país.

Sua longa postagem, publicada pouco depois das 22h, na terça-feira, foi excluída em menos de 30 minutos. As capturas de tela inicialmente circularam amplamente nas redes sociais e em grupos de bate-papo privados, mas logo foram censuradas também, junto com outras postagens que discutiam o caso.

A conta verificada de Peng, que tem mais de meio milhão de seguidores, permanecia no Weibo até a noite de quarta-feira. Mas foi bloqueado de pesquisas. Todas as seções de comentários nas postagens anteriores dela também foram fechadas.

Em um sinal a nível sem precedentes de censura, até mesmo uma página de discussão do Weibo sobre tênis foi fechada para comentários. E referências obscuras ao escândalo também foram removidas.

No Douban, o site de resenhas de filmes parecido com o IMDB da China, a página do programa de TV de romance coreano “O Primeiro Ministro e eu” foi censurada, depois que usuários discutiram o caso de Peng em sua seção de resenhas.

A censura rápida e completa contrasta fortemente com a resposta a outros casos recentes de #MeToo, como as acusações de estupro contra a estrela pop canadense-chinesa Kris Wu.

Esse escândalo ganhou grande força nas redes sociais, dominando os principais tópicos de tendência no Weibo por dias, enquanto a mídia estatal ampliava a acusação, censurando Wu por sua decadência moral.

Wu foi posteriormente preso sob suspeita de estupro. Antes de ser detido, Wu negou as acusações em sua conta pessoal no Weibo. Sua empresa disse que estava entrando com uma ação legal contra seu acusador, chamando as acusações de “rumores maliciosos”.

Logo depois, o governo desencadeou uma forte repressão à indústria do entretenimento, cancelando uma série de “celebridades malcomportadas”.

As alegações

Peng afirmou em sua postagem que fez sexo pela primeira vez com Zhang há mais de 10 anos, quando Zhang servia como chefe do Partido Comunista em Tianjin, uma cidade costeira ao sudeste de Pequim. Mas Zhang interrompeu o contato depois de ser promovido ao Comitê Permanente do Politburo em Pequim, de acordo com o post.

O texto não explicava as circunstâncias de seu primeiro contato sexual.

Então, certa manhã, cerca de três anos atrás, depois que Zhang se aposentou, o post alega que Peng foi repentinamente convidada por ele para jogar tênis em Pequim. Depois, ela escreve, Zhang e sua esposa trouxeram Peng de volta para sua casa, onde Peng afirmou que ela foi pressionada a fazer sexo com Zhang.

Com informações da CNN Brasil

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