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segunda-feira, agosto 15, 2022
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Famílias dormem em baia de animais após perderem casas nas chuvas

Com as casas destruídas pelas enchentes da Bahia, 32 pessoas têm vivido em baias usadas para alojar animais no Parque de Exposições de Itabuna (a 431 quilômetros de Salvador).

Na noite de Natal, o espaço chegou a receber 242 pessoas de 82 famílias, segundo levantamento inicial da prefeitura local, que começou a transferir os desabrigados para um alojamento montado no campus da UFSB (Universidade Federal do Sul da Bahia) desde o último dia de 2021.

Passadas três semanas desde o início das enxurradas na região sul do estado, pelo menos três famílias continuam no abrigo, segundo a prefeitura. Entre os remanescentes do alojamento improvisado está o idoso Manoel Souza, 92, pai do autônomo Adalto Souza, 27.

O local foi o único acessível para famílias que ficaram isoladas do restante da cidade, quando o nível do rio subiu repentinamente após as mais fortes chuvas registradas em 54 anos. A maior parte delas vivia em áreas ribeirinhas dos bairros Maria Matos (rua de Palha), Urbis IV e Nova Itabuna.

No mesmo espaço reservado aos animais, quem insiste em permanecer no local precisa conviver com a falta de energia, escassez de água própria para consumo humano, umidade, frio, excrementos de animais, além de pragas como ratos, baratas, pulgas, carrapatos e pernilongos.

Por causa da condição insalubre, sem o devido isolamento térmico, o idoso acabou por desenvolver um quadro de pneumonia, conta o filho.

Antes de buscar refúgio no Parque de Exposições, o pai vivia às margens do rio, em um barraco de madeira que acabou varrido pela enxurrada.

“Ele e meu irmão moravam em barracos de madeira, cada, na beira do rio. A chuva carregou tudo. Só ficaram com a roupa que estava no corpo”, ele diz. “Eu só não estou lá com eles porque moro numa parte mais alta da cidade, que não foi afetada pela chuva”, continua.

O autônomo relata que a família se recusa a ir para o alojamento na universidade localizada na BR-415, que liga Itabuna a Ilhéus, por causa da distância da sede do município. Além disso, não é permitido que os desabrigados deixem o prédio do campus após as 18 horas.

Apesar de reclamar do mau cheiro de estrume, o que provoca dificuldades para pegar no sono, Márcia Folete também prefere continuar em uma das baias com o marido e o cachorro Bolinha. Ela lembra que era antevéspera de Natal quando foi surpreendida, em casa, pela enchente.

“Quando percebemos, a água já alcançava a altura da cintura. Bolinha pulou o muro e eu só via a cabecinha dele naquele tanto de água. Foi uma coisa cabulosa”, lembra. “É muito triste quando você tá quase terminando de construir um sonho e ver tudo no chão”, lamenta.

Segundo a prefeitura, a cheia do rio Cachoeira devastou cerca de 40% da zona urbana do município, o que atingiu cerca de 30 mil pessoas, 2.800 delas diretamente. Atualmente, 531 estão em 11 abrigos, como escolas, igrejas e a universidade.

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