quinta-feira, janeiro 27, 2022
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Presidente do Cazaquistão manda ‘atirar para matar’ manifestantes

O presidente do Cazaquistão, Kassim-Jomart Tokaiev, afirmou nesta sexta (7) que deu ordem para “atirar para matar sem aviso prévio” qualquer manifestante que proteste contra seu governo, como forma de tentar encerrar a crise que engolfou a ex-república soviética nesta semana.

Desde domingo (2), atos contra aumento no preço de um combustível usado no país, o GLP (gás liquefeito de petróleo), espiralaram para uma revolta nacional. Segundo o governo, 26 ativistas, chamados por ele de “bandidos terroristas”, foram mortos, além de 18 policiais.

O número de feridos é incerto, mas deve passar de mil. Na quarta (5), dia em que o caldo entornou com ataques a prédios públicos e invasões nas principais cidades do país, inclusive a maior, Almati, o governo desligou a infraestrutura da internet e da telefonia móvel.

Assim, os relatos de violência são muito esparsos e confusos. Nesta noite de quinta para sexta, a agência russa Tass reportou tiroteios em Almati, por exemplo, mas aparentemente não há mais as cenas de descontrole com multidão na rua pelo país.

“Terroristas continuam destruindo propriedade e usando armas contra civis. Eu dei a ordem para forças de segurança de atirar para matar sem aviso prévio”, disse Tokaiev em um pronunciamento na TV estatal.

Ele insistiu que ouviria as “demandas pacíficas”, lembrando que mandou congelar os preços dos combustíveis por seis meses, mas que não negociaria com terroristas. “Estamos lidando com bandidos armados e treinados, localmente e no exterior. Eles têm de ser destruídos, e o serão brevemente”, afirmou.

Tokaiev agradeceu o presidente Vladimir Putin, da Rússia, por ter atendido seu pedido de ajuda e organizado a primeira missão militar da OTSC (Organização do Tratado de Segurança Coletivo), uma aliança militar de países ex-soviéticos criada em 1999 por Moscou que nunca tinha tido maior valia prática.

Cerca de 2.500 soldados, a maioria russos mas também de países como Belarus e Armênia, devem desembarcar entre sexta e sábado no Cazaquistão para apoiar o governo –as primeiras tropas começaram a ser deslocadas na quinta, um dia depois do pedido de Tokaiev.

Eles deverão auxiliar diretamente a proteger a infraestrutura energética do país, produtor relevante de petróleo e gás, onde há grande participação de empresas americanas. O país também é o maior exportador de urânio no mundo, e a interrupção da internet prejudicou o mercado de bitcoins, já que o Cazaquistão concentra 18% da chamada mineração da moeda virtual.

Com informações da Folhapress

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